Besouro, espírito de bravura

Já haviam se passado quase quarenta anos depois da abolição da escravatura e os negros continuavam a viver em situações desumanas. A capoeira, proibida, era a válvula de escape destas pessoas que ainda sofriam com uma série de restrições. Esse é o contexto do filme Besouro, que entrou em cartaz nos cinemas de todo o Brasil, inclusive em Niterói, no último dia 30 de outubro. A história se passa nos anos 20, no Recôncavo Baiano e é inspirada em fatos reais. Manoel Henrique Pereira, o Besouro, se tornou um mito e um símbolo da luta do reconhecimento da cultura dos negros no Brasil.
A história da Capoeira começa já no século XVI, quando Portugal começou a trazer negros da África pra trabalharem como escravos. Eles trouxeram de seu continente natal sua cultura e suas danças. O início da capoeira consistia em uma forma de luta que afirmava a cultura negra e os direitos dos escravos libertos. Mas, no Brasil, eles eram proibidos por seus patrões de praticar qualquer tipo de luta. Assim, uniram suas danças típicas a uma espécie de arte marcial e começaram a inventar a capoeira mais parecida com a forma com que ela é conhecida atualmente, uma luta misturada com dança. Por meio dessa necessidade de se unir dança e luta é que a capoeira hoje é a única arte marcial que se pratica acompanhada de música. A música determina o ritmo e o estilo do jogo na roda de capoeira. Ela varia em letra e ritmo. A música “Cavalaria”, por exemplo, era usada para avisar a quem participava da roda que a polícia estava chegando. O filme retrata bem esta realidade, com diversas cenas de retaliações de todo tipo por parte dos patrões que descobriam os negros se divertindo desta forma.
A prática deste misto de esporte e dança ficou proibida no Brasil até 1930, pois era considerada violenta. Nesse ano, porém, um famoso capoeirista, de nome Manuel dos Reis Machado, o Mestre Bimba, fez uma apresentação para Getúlio Vargas. O presidente adorou e transformou a capoeira em esporte nacional brasileiro. Em 1932, Mestre Bimba abriu a primeira escola de capoeira do Brasil, em Salvador, que teve como nome "Centro de Cultura Física e Capoeira Regional da Bahia". Ele criou o primeiro método de ensino da capoeira, que auxilia os alunos a desenvolver os movimentos fundamentais do jogo. Foi com ele que a capoeira passou a ser ensinada em recinto fechado. Uma outra curiosidade sobre este capoeirista é que ele abriu sua primeira escola de capoeira em Angola, no ano de 1918, com apenas 18 anos de idade. Mestre Bimba é considerado o pai da capoeira moderna.
O jogo é caracterizado por golpes e movimentos ágeis e complexos, utilizando os pés, as mãos, a cabeça, os joelhos e os cotovelos. No filme Besouro há ainda a presença dos vôos, já que uma das lendas sobre este capoeirista afirma que ele tinha a capacidade mágica de voar. Existem dois tipos de capoeira, a Angola e a Regional. A Angola assemelha-se mais ao estilo de jogo dos escravos. Nela, os rituais afro-brasileiros estão mais presentes. Seu maior representante foi Vicente Joaquim Ferreira, o Mestre Pastinha. Já a Regional foi criada pelo Mestre Bimba. Esse tipo de capoeira tem uma maior presença de características das artes marciais. O forte da capoeira regional são as quedas, rasteiras e cabeçadas. Quanto à música, o principal instrumento é o berimbau, seja qual for o tipo de capoeira, Angola ou Regional. Porém, há também o pandeiro, o atabaque, entre outros.

Atualmente, a capoeira tem o objetivo principal de manter as tradições. Quando se fala de praticantes sérios nos tempos atuais, a capoeira tem como foco ser um exercício físico e mental e seus golpes são apenas simulados. Ela se tornou um esporte competitivo, de acordo com uma resolução de 1972 do Conselho Nacional de Desportos. E a lenda de Besouro é muito conhecida nestas rodas, que tem este capoeirista como ídolo. Antônio Carlos de Menezes, o Mestre Burguês, é presidente do grupo Muzenza, que está presente em 25 estados do Brasil e mais outros 35 países. Ele deu a sua opinião sobre o filme, no site oficial do grupo: “O Besouro sempre foi um ídolo dos capoeiristas, principalmente nós do Grupo Muzenza, que vemos nele um espírito de bravura, um capoeirista que foi sempre honesto e único no jogo da capoeira. Por onde eu passo, Angola, África do Sul, Europa, todos só falam deste filme”. Ele ainda afirma que "praticar capoeira, é uma das formas mais simples de expressar o desejo de ser livre nos movimentos, e de ser brasileiro de fato".
Isaac da Cruz tem 22 anos e pratica capoeira desde os dez. Segundo ele, “a capoeira completa meu físico e mental e me faz ter a sensação de estar relaxado”. Ele assistiu ao filme Besouro, mas não gostou muito da associação do esporte com o espiritismo: “No filme entende-se que para ser capoeirista tem que ser espírita, entregando-se aos orixás, mas não é bem assim. Para ser capoeirista basta apenas se dedicar ao esporte, respeitando a todos e sendo humilde”.
Com opiniões a favor ou contra o filme, o que interessa é que ele mostra um pouco de como era o passado da capoeira. O que antes era negado aos negros e visto como algo violento, hoje é reconhecido como fundamental na cultura brasileira. Assim como o samba e o futebol, a capoeira leva o nome do Brasil por onde passa. Besouro com certeza ficaria orgulhoso de ver tudo isso.  

Site oficial do filme: http://www.besouroofilme.com.br/ Neste site você pode ver o trailer oficial do filme, além de saber mais sobre a criação deste longa metragem.

Paulo Emílio, exemplo de superação no tiro com arco

Olá, pessoas!
Gostaria de dividir com vocês, desta vez, o prazer que tive na minha entrevista com Paulo Emílio. Ele é deficiente físico e compete no Tiro com Arco. Produzi esta matéria como trabalho final para a disciplina "Jornalismo Esportivo". Espero que curtam, porque eu adorei fazer! =)
Só não tirei fotos dele no dia! =/

 
Paulo Emílio, exemplo de superação no tiro com arco




O carioca Paulo Emílio, de 58 anos, sempre gostou de esporte. Porém, no ano de 1995, um assalto mudou o rumo da sua vida. Paulo, que morava em Recife, foi atingido por um tiro que o deixou paraplégico. Ele era tenente-coronel do Exército, foi reformado e hoje se dedica exclusivamente ao esporte. Compete no tiro com arco desde 2001, na categoria ASW2, para paraplégicos e faz parte da Associação Niteroiense dos Deficientes Físicos, a Andef. As paraolimpíadas de 2016 ainda são um sonho distante, mas ele afirma que quer realizá-lo e sempre treina com este objetivo. Segue abaixo a entrevista feita com Paulo Emílio na sede da Andef, em Pendotiba, Niterói, durante um de seus treinos.

Por que a escolha pelo tiro com arco?
            Foi uma escolha sem querer. Eu era funcionário de uma antiga associação que não existe mais, a Associação Brasileira de Esporte em Cadeira de Rodas, ABRADECAR, que era uma das filiadas ao Comitê Paraolímpico. Lá eu era conselheiro fiscal e fui convidado pela associação para fiscalizar uma competição que ocorreu lá em Fortaleza, na Universidade Federal do Ceará. Chegando lá, havia um técnico de tiro com arco chamado Renato Emílio, que é carioca e não tem nada a ver comigo, mesmo tendo o nome Emílio, assim como eu. O Renato Emílio estava fazendo uma demonstração, uma espécie de workshop para deficientes. Eu fui chamado então, como convidado, já que eu era deficiente, pra eu puxar um arco. Puxei, gostei e estou até hoje.

Como sua família reagiu quando você disse que ia realmente se dedicar ao esporte? Praticou algum outro esporte?
            Bom, minha família me apóia, né, porque o esporte pro deficiente físico é uma válvula de escape. Se todo dia eu não vier pra cá e não brigar um pouco com o Bruno (ajudante do atleta durante os treinamentos), eu não me sinto bem, tem alguma coisa faltando. Além do tiro com arco, antes eu fazia natação, basquete e tênis de mesa, competindo em todos eles.  Hoje em dia eu pratico só por lazer, tênis e natação. O tiro com arco é competição mesmo.

Quantos prêmios você tem em tiro com arco?
            Eu fui o primeiro campeão do primeiro Campeonato Brasileiro Paradesportivo, que foi em Brasília. No segundo eu fiquei em terceiro lugar e no terceiro eu ganhei de novo. Sou bicampeão. Participei também de três eventos internacionais, na Itália, na Espanha e aqui no Brasil. A minha categoria é ARW2, que significa arqueiro na cadeira de rodas, com lesão na medula torácica. Ou seja, paraplégico. São três categorias básicas: ARW1, de tetraplégicos, ARW2, paraplégicos e ARST, amputados que atiram em pé ou sentados, mas com apoio.


Tem o objetivo de ir a alguma paraolimpíada?
      Eu já estou um pouco velho pra isso. Tenho 58 anos. Paraolimpíada pra mim é muito difícil, os índices são altos. Só vão para paraolimpíadas os melhores do país, né? Então eu tenho que ser o melhor dos melhores. No momento eu tenho que superar a mim mesmo. Mas há a vontade e estou treinando pra isso. A gente chega lá.

Como foi a reação da sua família, e a sua também, ao saber que você havia ficado deficiente?
            Como toda família reage. As desgraças, as tragédias desequilibram tanto quem sofre quanto a família. Ela também é muito afetada. A gente pode ver isso nas novelas mesmo. O entorno da família, dos amigos, o trabalho da pessoa, tudo sofre com ele. Eu era tenente-coronel do exército, ia comandar uma unidade. Tinha 45 anos, era jovem ainda. Tive que ser reformado no exército. Isso desequilibra muito o psicológico, mas a gente supera.

Depois de se tornar deficiente, demorou quanto tempo para entrar no esporte?
            Imediatamente. Na própria reabilitação que eu sofri lá no Sarah (Hospital de Reabilitação Sarah Kubitschek), eu comecei a jogar basquete e a nadar. A natação e o basquete foram meus dois primeiros esportes. A natação porque você ta no meio líquido, seu corpo fica mais solto, você começa a trabalhar as articulações. O basquete porque ocupa tua cabeça e é um esporte coletivo. Isso é muito bom.

Como é a sua rotina de treinos?
            Eu treino de quatro a cinco vezes por semana, três horas por dia. Faço um aquecimento tocando a cadeira. Em seguida, atiro a distâncias curtas, de uns oito, dez metros. Depois eu atiro a 30 e a 50. Aqui eu só posso atirar até 50 metros, por causa do espaço e por segurança.

Ter sido militar ajudou no seu condicionamento físico?
      Não só no condicionamento físico como também no técnico, porque eu era atirador.

E antes, você já fazia algum esporte por lazer?
            Eu fazia esporte de competição, era esgrimista. Fui esgrimista do Flamengo durante muitos anos. Fiz curso para dar aula na cadeira de rodas, para cadeirantes e para pessoas de pé. Eu sempre fui bastante dedicado ao esporte. Ele é minha vida, é muito importante. É o que mantém minha mente ocupada, o que me evita de fazer besteira. Comecei a me dedicar ao esporte desde a época do colégio militar. Só não gosto de futebol. Meu irmão brincava comigo porque quando eu era garoto dizia que era Bangu, mas eu nunca me lembro disso.

Por curiosidade, como é este esporte para os tetraplégicos, já que eles não tem o movimento dos braços?
                  Alguns tetraplégicos conseguem empunhar o arco. Eles tem dificuldade na largada da flecha, mas existem uns dispositivos que facilitam. Eles podem ser presos na cadeira, para o equilíbrio de tronco, e também podem usar gatilho ou um arco mais fraco.


Teologia: ensino superior pago



            Os cursos de Teologia ainda são um mistério. Pouco conhecidos e divulgados, estão presentes em poucas universidades, em sua maioria pagas. Estudar teologia acaba por ser visto como algo feito exclusivamente para quem quer agir dentro de sua igreja, seja como padre, pastor, entre outros. Porém, existem os chamados leigos, aqueles que fazem teologia com o objetivo principal de adquirir conhecimento.
            Por serem em grande parte pagos, os cursos de teologia exigem que seus alunos façam um investimento em sua formação. Porém sempre há uma chance de se conseguir bolsas ou descontos. O que se observa, no entanto, é que praticamente nenhuma universidade pública oferece este curso. O pastor Neucir Valentim, da Primeira Igreja Evangélica e Congregacional de Niterói, afirma que o principal empecilho é a falta de procura por parte dos alunos. “Quando alguém vai fazer um curso de teologia, ele não quer apenas aprender. Ele quer aprender a vivência religiosa e praticá-la. O curso feito em igrejas dá base a fé que a pessoa tem. O curso feito em universidades é amplo e liberal e não se especifica nas doutrinas de nenhuma religião”, afirma. Segundo o pastor, as universidades Estácio de Sá e Salgado de Oliveira (Universo) começaram com este curso e não prosseguiram por falta de procura.              
           

O que você faz? Teologia

            Mas porque fazer um curso de teologia, já que o retorno financeiro é praticamente nulo? O padre colombiano Leonel Narváez, ganhador da Menção Honrosa de Educação para Paz da Unesco em 2006, deu a sua opinião sobre o assunto durante uma visita ao Brasil. “As pessoas tem visto que a espiritualidade é um assunto importante para os seres humanos. E eu acho importante, porque se percebe que a religião não foi feita apenas para igrejas”, afirmou o padre.
            O professor Izidoro Mazzarolo, do curso de teologia da PUC ressalta a importância do conhecimento na evangelização. “É altamente elogiável que os leigos estudem teologia, assim eles colaboram de modo mais qualificado na evangelização e na formação dos novos cristãos”, afirma o professor.
            E se a ausência de diploma universitário era um empecilho, isso já não acontece mais. De acordo com o pastor Neucir Valentim, os cursos de Teologia podem se conveniar a universidades e passar a oferecer um diploma de ensino superior reconhecido pelo MEC. “Depois de um exame criterioso, as faculdades fazem estes acordos, que vem crescendo em um número além do normal”, afirma. Estes convênios, porém, não são feitos com cursos pertencentes à igrejas, mas de instituições teológicas que tenham seu próprio reconhecimento como centro de ensino, portando, por exemplo, um CNPJ.

Afinal de contas, o que é o curso de Teologia?

            O curso de Teologia é muito difundido nas igrejas, como algo informal. Porém é pouco conhecido daqueles que não freqüentam o universo religioso. Mais difícil ainda é encontrá-lo nos institutos de ensino superior. O professo Izidoro Mazzarolo mostra alguns dos tipos de cursos de Teologia existentes: “No universo teológico católico existem três níveis de estudo: o curso de teologia em Universidades ou Faculdades de Teologia; os seminários de teologia, alguns só para seminaristas e outros são mistos, onde leigos também estudam, mas o ensino é o mesmo para todos; e as escolas paroquiais de teologia, onde estudam, quase unicamente, leigos. Essas são mais de cunho pastoral ou catequético e não conferem título acadêmico”.
            As disciplinas são bem variadas, mas giram em torno do tema central, que é o estudo de Deus e tudo que O cerca. A bíblia, por exemplo, é estudada com exaustão. Aprende-se também sobre alguns aspectos históricos e doutrinários. Há ainda os estudos das línguas como o grego e o latim, que remetem à história das igrejas e da bíblia. Enfim, tudo que envolva a religião e a fé é abordado.

Profusão do funk!

              Ok, eu gosto de dançar funk nas festas que vou. Tem um ritmo legal, bom pra descontrair de vez em quando. Mas o fato é que este ritmo está cada vez mais entranhado na alma do povo. Os cariocas então, nem se fala! Basta sair na rua que é quase certo encontrar alguém com o som do celular no último volume tocando uma das músicas saídas da Furacão 2000.
             E o funk é composto das coisas mais banais! Qualquer assunto é motivo. Com que ritmo mais se faria uma música com a risada do pica-pau? Muitas outras coisas “úteis” são usadas nas letras. Minha última descoberta foi a versão de “Os sapinhos fazem hum-ah-hum”, de Chaves, com a batida do pancadão! Não tô conseguindo postar o vídeo, mas segue abaixo o ultra mega power enorme link para ele!

http://www.youtube.com/watch?v=r7OVweIzNv4&ytsession=pC4j2GvmLtmO9aX12kxKcSGtAl_oOz5O03wvZ1Ow9Q9IfLwCJUdoGmFtaPE1SPKC0iZyQLS3Qu36i3y71VdnvNyAe15ifJp1jVQJIQW2cbQNkqeZpQ7q23TEQ1p73sWyMLvSD4CyGRq0Q_MDvUJKdjv08tj4EbOGG3tm8nDSRla-_wxrOcZyGd2NhR8g4H3z5-L6g0oV_6LWW3wvJESPz1eidxg_VkXhQlckPoxyQwdiybt0F-0C8YVfNzpIh7zfA34OQf7LTcUd4J0MI915DQthwhi29oYOk6Z1CQQZfYoXCTbVxihX4ASIQIo380ZqHmM-Ea6Cx7EJXwml1_kZoKUS6zBP8M3DiVzlTRVNAjIhlAfIukCpX-ypDke4F7M08J18xjHj74-EcQykTfAs_Qcz6H9C1UK44y56EAIsh_lUs0X0Zjs1mtRcCV-uj8Ws

Só gostaria que todos que gostam do funk e o ouvem, não importa com que freqüência, também se interessassem por outros tipos de música (e que não seja só o pagode!).

Meu ídolo está nos livros


            Ter ídolos é algo comum, principalmente na adolescência. É a idade em que todos buscam seus referenciais em alguém que admiram. Cantores, atores e artistas em geral são os alvos principais desta juventude. Mas, atualmente, muitos vêem como ídolos outras pessoas: são os escritores e os personagens de obras literárias. Os jovens se tornam fãs inveterados, capazes das maiores loucuras para ver aqueles que fazem parte do seu livro de cabeceira. Assim, adolescentes dos mais diferentes lugares têm percebido a literatura como algo que os preenche e traz informações que interessam.
            É comum o pensamento de que jovens não gostam de ler. No mundo atual, a Internet e a TV têm um grande papel na formação de vontades. Com isso, o livro acaba perdendo o seu espaço e é deixado de lado nas bibliotecas e prateleiras das casas. A sociedade nos dias de hoje exige rapidez e a leitura de obras literárias é vista como algo que consome muito tempo para ser finalizada. Outro problema está na leitura por obrigação. As escolas indicam livros que por muitas vezes não reproduzem temas atraentes para essa faixa etária. Com isso, ler passa a ser visto como algo chato, que não traz nenhum tipo de prazer.
            Porém, há muitos livros que chamam a atenção dos jovens. Um dos maiores fenômenos atuais é a série Crepúsculo. Com quatro livros lançados, a série da autora Stephenie Meyer conta a história de um vampiro que se apaixona por uma menina comum. É um misto de romance, drama e aventura que atrai uma legião de adolescentes. A estudante Marina Vilas, de 14 anos, conta que foi a série que a atraiu para o universo dos livros. “Depois de Crepúsculo eu viciei em leitura. Agora sempre que eu acabo um livro já corro e compro outro”, conta a menina. Seu pai, o técnico de produção Walter Micheli, porém, não é favorável à existência de ídolos, mas acredita que a série de vampiros fez com que sua filha se aproximasse muito mais da leitura. “Não gosto de livros ‘comerciais’ que precisam de uma mídia forte por que tem que vender muito senão não lançará o próximo. Livros memoráveis são esquecidos nas estantes, pois já foram vendidos e não alimentarão a máquina do capitalismo. Mas neste contexto o interesse da Marina pelo assunto a fez ler muitos outros livros”, diz Walter.
            Personagens e enredos de obras literárias, como Harry Potter e Crepúsculo, tem fãs pelo mundo inteiro. Mas e quando os ídolos são os autores? Thalita Rebouças é considerada uma musa por jovens de todo o país. A autora é a responsável por sucessos como “Fala Sério, Mãe” e “Tudo por um Namorado”. Na última Bienal do Livro do Rio de Janeiro, a fila de jovens que esperavam por um autógrafo dela era enorme. Seus livros tratam de temas comuns aos adolescentes, como a relação com os pais e o amor, usando uma linguagem comum entre os membros desta faixa etária. “A idolatria por astros da música é comum, mas por escritores tem um sabor especial, pois pode fazer com que esses jovens ganhem o hábito da leitura por toda a vida”, afirma a autora. Gustavo Reiz é outro autor voltado para o público jovem. Além de livros como “Sonhos de umas Férias de Verão”, colabora em roteiros de novela e atualmente é contratado pela Rede Record. “Acho importantíssimo esse despertar dos jovens para a leitura, independente do motivo - seja pelo personagem, pelo autor, pela adaptação cinematográfica. O fato é que os jovens têm lido mais e isso é admirável. Quando esse interesse se dá por autores nacionais então, é fantástico”, afirma o autor.
            De acordo com pesquisa realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), os livros de literatura juvenil foram os que mais cresceram em produção entre os anos de 2007 e 2008, com um aumento de 41,88%. Em 2007 foram produzidos 1.711 exemplares, e no ano seguinte já somavam 2.428. A série “Fala Sério”, de Thalita Rebouças, é um bom exemplo deste processo. Ela é composta por quatro livros, e todos eles estão na lista dos 30 mais vendidos da Editora Rocco. “Fala Sério, Pai!” é o terceiro colocado, à frente de obras como “A Hora da Estrela” e “Laços de Família”, de Clarice Lispector, sexta e décima quarta colocadas, respectivamente. Segundo informações da Editora Rocco, ela já vendeu mais de 400 mil livros, somados todos os 10 títulos, desde Traição entre Amigas, em 2000. Outro grande sucesso, a série Crepúsculo, tem os seus quatro livros ocupando da segunda a quinta colocações dos livros de ficção mais vendidos do país, segundo o site da revista Veja.
            É importante, porém, que se perceba até que ponto os jovens são capazes de fazer uma leitura crítica. Por terem nos escritores e personagens seus ídolos, a tendência é que os adolescentes vejam somente características positivas nestas obras literárias, e se esqueçam de avaliá-las criticamente. Thalita Rebouças acredita que o principal é aproximar os jovens da leitura. “Quando tão jovens até acho que pode sim afetar uma leitura mais crítica, mas o objetivo é formar leitores nessa fase tão difícil da vida. Se eu atingir esse objetivo, minha missão está cumprida”.

            Marly Maria, psicóloga, é mãe de Clara, estudante de 14 anos. Ela apóia que sua filha tenha uma escritora, a autora da série “Fala Sério!”, como ídolo. “A única diferença que vejo em relação a qualquer outro ídolo é que, pelo menos, está diretamente relacionado ao hábito da leitura que, a meu ver, é fundamental ao desenvolvimento do ser humano como um todo”, comenta. Mas é importante mostrar aos jovens que ninguém é perfeito, e todo fanatismo tem limites. Os pais devem conversar sobre novas possibilidades de leitura, com diferentes autores e histórias. “Nenhum fanatismo deve ser alimentado, o equilíbrio é sempre a melhor opção. É importante que o leitor não fique restrito a um só autor, a uma determinada série, por mais que ele tenha se identificado com aquele trabalho. Certamente existirão outros trabalhos pelos quais ele também pode se identificar”, afirma Gustavo Reiz.
            Os pais são grandes responsáveis para que o filho sinta prazer com a leitura. Thalita Rebouças acha que o exemplo deles é fundamental. “Todo mundo que eu conheço que cresceu numa casa com muitos livros desenvolveu o hábito da leitura. O filho que vê o pai ou a mãe sempre com um livro tem muito mais chance de virar também um leitor habitual”, afirma. Gustavo Reiz acha, ainda, que os pais devem indicar obras que tenham relação com a realidade do jovem. “É bom que os pais sugiram livros que se encaixem no perfil do filho ou filha. Recebo muitas mensagens de mães e pais, que agradecem pelos filhos terem começado a ler a partir dos meus livros”, conta o autor. A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, produzida pelo Instituto Pró-Livro, mostra que, entre não leitores,  86 % nunca foram presenteados com livros na infância e 55% nunca viram os pais lendo. É fácil perceber que a educação dos filhos inclui bons hábitos de leitura, para que se possa desenvolver o raciocínio, a criatividade e o senso crítico.

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Depois de um tempo de entrevistas e coleta de informações, aí está a matéria final, produzida para a disciplina "Oficina de Reportagem".

Um nome na história do esporte: Teixeira Heizer

Mais uma matéria produzida para a faculdade. Desta vez é para "Jornalismo Esportivo". É sobre o Teixeira Heizer e dados da palestra que ele deu pra nossa turma. Ele agora é comentarista do SporTV, mas já passou pelos mais diversos meios de comunicação.
Lá vai então:

            Teixeira Heizer é um dos grandes nomes da imprensa esportiva no Brasil. Formado em Direito pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Teixeira conseguiu notoriedade com o ofício de jornalista. Ele foi o responsável pela primeira transmissão de futebol da TV Globo. Era um Brasil X URSS, em 1965, pela Copa do Mundo. O jornalista auxiliou na inauguração da TV Globo e recebeu o crachá de número 01 da empresa.
           A paixão pelo rádio também faz parte da vida de Teixeira. Ele já trabalhou nas rádios Globo e Continental e vê nesse meio de comunicação um grande estimulador da imaginação. De acordo com suas próprias palavras, as jogadas de futebol que mais lembra foram aquelas que ouviu pelo rádio, veículo que também transmite emoção. E o futebol é cercado de sensações de “desequilíbrio emocional”. Aliás, sua relação com o rádio iniciou-se de forma engraçada. Ele começou a trabalhar na Rádio Continental após inventar o nome dos jogadores da seleção japonesa de natação. Pensou que isso manteria a credibilidade noticiosa da rádio. Os responsáveis pela emissora gostaram e o efetivaram.
          A vantagem de saber as coisas antes de todos e poder transmitir a informação ao mundo foi um dos motivos que fez Teixeira Heizer escolher pelo jornalismo. E o esporte, sua especialidade, traz a possibilidade de analogias e contatos diretos com a política e os pensamentos ideológicos. Tudo isso fascina Teixeira, que se formou em Direito por imposição do pai, em uma época em que somente os cursos de Direito e Medicina eram vistos como formadores de verdadeiras profissões.
         A Secretária de Turismo, Esporte e Lazer do Rio de Janeiro, Marcia Beatriz Lins Izidoro, propôs à Teixeira Heizer a produção de um livro sobre o Maracanã. A publicação tentaria desmistificar a idéia de que o estádio traz azar. Esse pensamento surgiu na final da Copa de 50, em que o Brasil perdeu para o Uruguai. Teixeira explicaria que, naquele ano, a Seleção Uruguaia possuía um time muito melhor tecnicamente que o do Brasil. Isso faz com que a derrota em 1950 não tenha sido algo inimaginável, como sempre foi veiculado. O livro seria lançado em comemoração aos 60 anos do estádio em 2010 e está em processo de negociação.

CCBB - As Biografias dos Mitos Nacionais 2

Estou percebendo que este período terei que produzir muitos textos, então vou acabar utilizando alguns aqui no blog! Este tive que produzirpara as aulas de Seminários de Poder e Política e Teorias e Técnicas de Reportagem. É sobre um evento que está acontecendo no CCBB e que nós fomos... Mas acho q o texto explcia tudo! Leiam então!!


CCBB – Jornalismo Literário – As Biografias de Mitos Nacionais 2
            Na noite do dia 02 de setembro, nós, das turmas de Seminários de Poder e Política e Teorias e Técnicas de Reportagem fomos à mesa de discussão As Biografias de Mitos Nacionais 2. Esta mesa faz parte do projeto Jornalismo Literário, promovido pelo CCBB em toda primeira quarta-feira do mês desde abril. Os participantes da mesa eram Fernando Morais - autor de Olga e Chatô, o rei do Brasil, entre outros – e Paulo César de Araújo – autor da biografia não autorizada de Roberto Carlos.
            A discussão começou com as palavras de Fernando. O primeiro livro escrito por ele foi Transamazônica. Esta obra tinha o objetivo de mostrar a Amazônia a todos, já que na época ela era muito desconhecida. Antes de se tornar um livro, Transamazônica era apenas uma série de reportagens. Fernando Morais disse que entrou na cultura por acaso. Ele gostava de ser repórter policial, mas por questões financeiras acabou virando editor de cultura.
            Fernando citou o fato de que o livro poder se transformar em filme ou obra televisiva abre um mercado mais amplo para o autor. O escritor disse também que está trabalhando em um livro baseado em fatos reais, que fala sobre cubanos infiltrados em organizações de extrema direita na Flórida com o objetivo de evitar supostos ataques à ilha. Os personagens deste episódio ainda estão vivos. Neste novo livro, Fernando adquiriu uma nova técnica de trabalho: pesquisa e escreve simultaneamente. Em geral, ele primeiro pesquisa para só depois começar a escrever, mas percebeu que isso pode ser bem mais lento do que o novo método adotado.
            Fernando Morais citou também o problema que teve com um político em decorrência do livro A toca dos leões. Esta obra era pra ser apenas um relato sobre a rotina e a história da agência W de Washington Olivetto. No livro ele conta que o publicitário recebeu várias propostas para fazer campanhas políticas, mas como sua agência não faz este tipo de serviço, teve de recusá-las educadamente. Porém, um dos políticos fez certas citações que depois foram reveladas por Olivetto e colocadas no livro. Isso causou problemas e levou a um processo, que até hoje está em andamento.
            Paulo César Araújo revelou que seu interesse por biografias começou a se aprofundar depois que ele leu Olga, livro de Fernando Morais. Ele disse que tem extrema dificuldade de escrever, até mesmo e-mails ou simples bilhetes – prefere a linguagem falada. Quando começou seus estudos sobre MPB, por volta de 1990, percebeu que seu campo de pesquisa era inovador. Seu primeiro livro foi Eu não sou cachorro não: Música Popular Cafona. Em decorrência destes estudos, Paulo César decidiu escrever sobre Roberto Carlos e passou 15 anos tentando entrevistar o cantor. Mas parece que não ter acesso ao “Rei” o ajudou, pois ele teve que pesquisar mais e conseguiu novas informações, antes impensadas. Paulo César comenta que o grande problema de Roberto Carlos é que ele não quer que ninguém faça uma biografia sobre ele. Prefere fazer a sua própria, mas não tem idéia de quando isso vai acontecer. O autor tenta mostrar que um livro escrito pelo cantor seria de memórias, enquanto um escrito por ele é historiográfico. Paulo César fala também que sentiu a parcialidade do juiz em favor do cantor. Segundo consta, o juiz é um cantor amador e teria pedido autógrafos e tirado fotos com Roberto Carlos depois de acabado o julgamento. Este processo também ainda está em andamento.
            Como os dois autores enfrentaram problemas com processos, ambos citaram a Lei Palocci. Esta lei, em termos gerais, fala que a vida de personalidade pública é pública. Isso faz com que não seja mais possível processar autores por informações descobertas nas suas pesquisas. Geralmente estes processos são feitos pelo próprio biografado (como no caso de Roberto Carlos) ou pelos familiares deste (como no caso do processo realizado pelas filhas do jogador Garrincha contra Fernando Morais).
            Outro comentário interessante é que a Editora Planeta é a editora responsável pelos dois livros alvos de processos. E, segundo os autores, ela não ajudou muito.